15.11.12

Texto: A última carta


Mãe, me desculpa por toda essa distância que sempre* existiu entre nós. Por não te contar meus segredos, saber sua opinião sobre algo que me incomoda, preferir contar tudo às minhas amigas.
Você não me conhece, não sabe como realmente sou. Não sabe como me comporto, me divirto, lugares onde me sinto bem ou não, o que faço no dia a dia, a hora que durmo ou acordo, quais são meus planos para o futuro... Você não sabe nada sobre mim. Deveria saber, aliás, você é minha mãe. A pessoa que eu deveria confiar, contar o que acontece comigo, assim como um diário pessoal.
A senhora não sabe da existência desse blog, muito menos desse texto que estou criando no dia 15 de Novembro, às 05h32min. Você está no trabalho essa hora, e eu aqui em frente ao computador, pensando como seria ter sua amizade. Vejo o modo que você trata suas amigas, o carinho que tem por seus vizinhos, sempre tratando todos bem e com o sorriso (sincero) no rosto.
Você não sabe, mas, meu sonho sempre foi ter uma irmã da minha idade ou poucos anos mais nova. Pois, talvez ela entenderia o que eu sinto, as coisas que me aborrecem. Mas ao invés de uma irmã, tenho uma mãe. A única mulher (além de mim) que mora nessa casa. Poderíamos ser assim? Como irmãs? (...) Por que me dói tanto falar sobre você? Por que me sinto tão só, mesmo quando a casa está cheia de pessoas? São tantas perguntas que me faço, e a resposta é sempre a mesma. Seu abraço é a resposta pra tudo. É a resposta das perguntas que ficam no ar. Sabe aquele abraço que quando estou triste, me conforta? Que é muito parecido com aquele que você dá, quando acabamos de ter uma discussão. É dele que preciso todos os dias!
Essa noite tive um sonho horrível, me emociono só de lembrar. - Você estava com parte do cabelo raspado, e chorando muito. Eu te encontrava e perguntava o que estava acontecendo. Você dizia que não era nada (para não me preocupar), e que iria ficar tudo bem. Depois desmentiu, dizendo que os médicos te 'deram' alguns meses de vida, e que você ainda está viva por sorte - Foi uma dor tão real, que só quem já perdeu alguém, sabe como é. Eu acordei aos prantos, querendo te ligar, dizer tudo o que sinto, mas não consegui.
Há uma barreira entre nós que deve ser quebrada. E espero que logo, pois se me dói agora, imagine se um dia eu te perder, como viverei sem seus abraços? Sem ter dito o quão grande é meu amor por você? Não só dizer um 'eu te amo', pois o que sinto é bem maior que isso. Mas, demonstrar a cada gesto, curtir cada momento contigo.
Esse texto está todo bagunçado, e talvez quando eu ler mais tarde, não fará nenhum sentido. É como anda minha mente! Assim como todos os outros textos que escrevi. Meus sentimentos são bagunçados, e só "consigo" expressá-los com palavras.
Você me deu tudo que pedi. Às vezes, mesmo sem pedir já ganhei! Muitas vezes tenta demonstrar esse amor com presentes, mimos. Talvez você nunca pensou que, quando uma de nós se for, só restarão esses mimos, e não lembranças boas. Já tenho 18 anos, e não me recordo quando foi a última vez que passamos uma tarde juntas, fazendo nada.
Mãe, eu sei que me ama... Sei o quanto me ama! E sei também, que não sou merecedora desse amor. Agora estou aqui, escrevendo um texto que será lido por muitas outras pessoas, mas não por você, com os olhos escorrendo lágrimas, do fundo da alma, que mal enxergo a tela ou o que escrevo.
Bom, já escrevi muitas cartas pra você. Essa é a última carta. Exposta para quem quiser ler... Espero que também leia. Ou melhor não.


G. Ramos

6 comentários:

Que texto lindo, flor! Me identifiquei muito, já passei por isso. É fictício?
Beijinhos

Am
http://www.vinteepoucos.com.br/
Não, Am (já falei que amo te chamar assim? KOPASKOAP)! Meus textos são todos reais :)
Fico feliz em saber que tenha gostado.

Um beijo, e obrigada pelo comentário ♥
Gi, senti uma ligação nos nossos textos, e adorei. Expressar um sentimento tão profundo como esse e ver que não está só nesse estado é algo que nos dá esperança para olhar para os olhos dos nossos pais (no caso) e dizer-lhes (seja com palavras ou com o sentimento implícito no olhar) o que sentimos.
Dica? Manda esse texto, no mínimo, para o e-mail da sua mãe. Ou imprime e deixa em um envelope perto da sua bolsa quando ela for sair para o trabalho. Ela vai gostar de ler. :)
Um beijo!
Realmente, tem ligação rs. Me inspirei no teu texto! Apesar de ser uma história real de cada uma.
E gostei da dica, mas não sei se tenho coragem de mostrar a ela rs, como escrevi no final do texto "[...] Espero que também leia. Ou melhor não.", fico em dúvida se mostro ou não pra ela rs

Obrigada por ler e pelo comentário flor!

Beijos ♥
Que texto lindo, adorei seu blog!!!
Obrigada Sr. Anonimo ♥

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